sábado, 8 de março de 2014

Em um oceano repleto de escuridão.

_EI..., Calma.
Ele estava muito febril, mas porque raios eu tive essa ideia de traze-lo pra cá? Eu deveria ter o levado de volta até o hospital, mas ele tinha que ter aquele oceano no lugar dos olhos? Argh...
_Garoto eu vou ligar pro seus pais.
É eu falei isso alto, mesmo assim ele não me ouviu, ou será que ouviu. Queria me lembrar de como chegamos a esse ponto.
Espera ai, consigo me lembrar, Merlin deve ter se penalizado de mim só pode. Foi assim...
Ele tinha sido internado, mas uma de suas internações repentinas. Pergunto quantas já foram desde que nós nos conhecemos, não, não somos namorados. Dessa vez tinha algo diferente além da chuva que não dava trégua, parecia que o tal oceano em seus olhos me convidava a me afogar, estavam mais perdidos do que de costume, ele não ria de minhas piadas, não prestava atenção nas minhas histórias, parecia não querer que eu estivesse ali.
_Ei...doido, não quer falar comigo?
Ele parecia um pouco surpreso, a pergunta na verdade era quase como uma afirmativa, ele realmente estava me evitando, sua reação a minha pergunta poderia ser tomada como uma resposta.
_Desculpa, não estou me sentindo bem, acho que você pode ir.
Como assim pode ir? É essa foi minha reação, quem esse moleque pensa que é.
_E por que eu iria embora?
_E porque você deveria ficar?
_Porque eu estou te fazendo companhia?
_Daniela, o quê nós somos?
_Amigos, claro.
_Quando eu estou triste, você me faz rir. Quando eu tento parar você me empurra até que eu continue. Quando eu tropeço você me levanta. Quando me perco você me encontra. Quando eu sou idiota você me chama de louco. Quando você não tá...bem quando você não tá me sinto incapaz de continuar. Eu queria entender esse meu sentimento, acho que eu estou confundindo as coisas, na verdade complicando-as pra você. Me desculpa.
_Aiiiii... O quê você tá falando, tá tudo muito claro somos amigos.
Acho que não estavam tão claros assim não.
_Eu queria dizer que sim, mas não, não somos amigos. O amor que eu sinto por você ultrapassa a amizade. Você pode por gentileza me deixar perdido nos meus pensamentos?
_Mas...
_Sem mas Dani...Por favor
_OK
Se passaram três dias, seus pais falaram que a febre não tinha baixado, que ele já tinha entrado no soro. Ele não queria me ver, mas eu não podia deixar de vê-lo, e ele estava lá, naquela cama de hospital dormindo como um anjo, com os cabelos nos olhos, vez ou outra fazia uma careta, talvez eu também o amasse, passei as mãos nos cabelos dele, dei um beijo de boa noite e...
_Talvez estivesse certo, uma dose de amor...
Falei alto de mais, olhei pros lados esperando que ninguém tivesse me ouvido e fui-me embora. Mal cheguei e casa e o telefone já começa a tocar, ele tinha fugido, como assim fugido, que tipo de segurança tem um hospital que deixa um rapaz cego, com leves desequilíbrios mentais e um tanto quanto sedado fugir.
_Talvez ele só esteja escondido!
A quem eu estava querendo enganar, ele deve ter me escutado e tentado me alcançar, aiiii..... que encrenca, por fim resolvi dar umas voltas nos arredores daquele hospital, revirei cada canto  de cabo a rabo, e só quando resolvo descansar eu o encontro, em um lugar discreto, um bar, não ele não estava se embebedando quem iria fazer isso naquele bar era eu se não o encontrasse, ele estava apenas se escondendo da chuva, encolhido nos lençóis do hospital, e por falar em hospital a camisola dele estava transparente, que constrangedor. Eu me aproximei, e sentei naquele chão ensopado, ai meu estofado, parece que ele sentiu minha presença.
_Não estou acreditando que eu te encontrei aqui?
_Não acredito que ia beber?
_Não acredite, eu ia tomar um gole d’agua, estou dirigindo...
_Sei..., Porque está aqui?
_Porque fugiu?
_Porque não estou doente. E eu ouvi você dizendo que talvez você me amasse.
_Quando? Onde?
Não complica minha vida
_Hoje, não minta.
_Tava delirando
_Você estava lá.
_Nós temos que voltar para o hospital
_Já disse que não tenho nada, me deixa dormir na sua casa hoje por favor?
_ Você tem que voltar pro hospital, além disso a três dias não me queria por perto e hoje me pede pra dormir lá em casa.
_Por favor, eu só estou cego e nenhum pouco depressivo, meu coração também já voltou a bater no ritmo normal, tum...tum...tum
Aqueles olhos azuis tão perdidos no mar de escuridão me convenciam sempre, ele realmente só estava cego, mas sobre a depressão ele sempre ficava muito mas deprimido quando ficava no hospital, mas não tinha certeza se esse era o certo. Os pais dele até deixaram, mas só essa noite, parecia que estavam falando com a tia dona de uma casa na qual uma criança iria passar as férias, nós tínhamos a mesma idade, nem era tão responsável assim, na realidade na maioria das vezes ele era mas responsável do que eu, a única diferença é que eu moro sozinha porque meus pais se mudaram pro campo.
_Enfim chegamos...Agora banho moleque você tá sujinho
_Amiga boa que eu fui arrumar...
_Banho, você já conhece o caminho.
Cá estamos nós, compartilhando a cama, comendo caldo verde assistindo tele cine. E nem me dei conta de quando ele dormiu, caindo sobre meus ombro, realmente ele era tão lindinho.


_EI..., Calma.

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